Vida Besta


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18/08/2005 19:53
Bom, um dia tudo chega ao fim e o Vida Besta chegou hoje. Estou enrolando há vários dias para escrever isso, porque me emociono,mas já tomei a decisão faz tempo.
Fechei um ciclo, curti muito, dei muitas risadas, me senti poderosa às vezes.
Mas preciso deixar Penélope se ir. Aliás, como em final de novelas, hoje é dia de uma revelação, para os poucos que ainda não sabem. Meu nome verdadeiro não é Penélope, era apenas um nick bobinho que estava testando na hora de criar o blog e depois não consegui mais apagar e ficou.
Meu nome verdadeiro é Marilda, e talvez um dos motivos que eu tenha colocado Penélope era para não ter que usar um nome do qual não gosto, esse com o qual fui batizada e convivo durante décadas.
Parece uma bobagem, mas meu espírito não se sente nem um pouco Marilda. Quando alguém me chama alto pelo nome, sinto até um certo constrangimento. É absurdo, mas que fazer? Terapia...
Mas como a Penélope acaba de falecer, ou voltou a seu castelo para continuar tecendo e esperando, como queiram, Marilda vai ter que se explicar e dar o adeus por ela.
Explicações concretas não tenho, só que estou passando por um período complicado e a Peps só tem sentido se for aquele meu lado alegre e escrachado. Tem gente que começa o blog porque está sozinho e deprimido. Eu sou ao contrário, eu termino!
Aos amiguinhos blogueiros, desejo muita paz, amor e lembrem-se de algo muito importante, bicho: groove is the heart! Vou visitá-los com certeza, vamos passar essa fase e quem sabe um dia me anime de novo!

enviada por Penélope



14/08/2005 15:59


Esta é uma foto dos meus botões.
Botões que, não sei de onde nem por que, resistiram juntos por uma vida numa caixinha dentro da cestinha de costura.
Eles provavelmente vieram de camisas, ou vestidos, ou casacos, que não lembro que tive.
Objetos que um dia foram importantes, e no momento que os guardei devo ter pensado: vou guardar para se, um dia, cair um botão... Um tipo de seguro de vida.
Ou, ainda: pode servir para outra camisa.
Hoje olho para a caixinha, olho para os botões engraçados e não sei que camisas foram essas. Que mulher usou esses botões.
Custo a crer que alguns ainda têm pedaços de linha grudados, garantindo que foram utilizados.
Por que guardei tantos botões? Não uso mais camisas.

enviada por Penélope



10/08/2005 14:46
Acordei com esta cançãozinha um tanto antiga hoje cedo, do nosso imortal Chico, tocando na Rádio Miolo Mole:

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã


Quem quiser ler o resto da letra...

E por falar em RMM, a Marina me passou uma matéria que saiu no Uol, “Rede de neurônios desalinha-se, e cérebro torna-se um iPod”, tradução do The New York Times (2/7/05).

Resumindo, eles descrevem o fenômeno, que não é tão raro assim, e tentam explicar por que o nosso cérebro vira de vez em quando um MP3 Player involuntário.
Descobri umas coisas muito malucas.
Que isso é uma doença, chamada de alucinação musical e que existem surdos que escutam música na cabeça...
Essa investigação foi feita por psiquiatras do País de Gales, que concluíram que que elas resultam de um mau funcionamento de redes cerebrais, que normalmente permitem a percepção da música.
Engraçado é que os pacientes pesquisados ouviam uma ampla variedade de músicas, entre elas "Don't Cry for Me Argentina" e "Three Blind Mice".
Ainda bem que essas não tocam por aqui...
Parece que as pessoas tendem a ouvir as músicas mais significativas emocionalmente, ou que escutaram muitas vezes. Então tá explicado...
Bom, a matéria é enorme e como não posso passar o link (exige-se senha no Uol) termino com a explicação do pesquisador:

”Griffith sugere que essas regiões de processamento de música estão continuamente procurando sinais no cérebro que possam interpretar. Quando não há nenhum estímulo vindo dos ouvidos, o cérebro pode gerar impulsos ocasionais ao acaso, que as regiões de processamento de música interpretam como som. Elas então tentam equiparar esses impulsos com memórias musicais, tornando poucas notas em uma melodia conhecida. Para a maior parte das pessoas, esses sinais espontâneos podem produzir uma música que não sai da cabeça. Mas a entrada constante de informações pelos ouvidos suprime a falsa música.”

O negócio é ouvir música de verdade para espantar a nossa radinho, quando ela tá chata!

enviada por Penélope



05/08/2005 14:56
Cada vez que vejo minhas gatinhas (tenho duas vira-latinhas) tomando água com a maior vontade na tigelinha, ou até mesmo na torneira, fico pensando quão saudável é a alimentação desses bichinhos caseiros.
Elas não precisam de suco, bebidas com álcool, café, chá, açúcar, corantes, e rejeitariam mesmo um delicioso cappuccino ou um sorvete... no máximo, elas topam um leitinho. De resto, é uma vida de monge, pura água refrescante e ração balanceada.
Ah. A ração também é tudo de bom. É completa, segundo o fabricante. Tem isso, tem aquilo, mantém os pêlos brilhantes, os olhos vivos, o bichinho animadão. E a gente se entupindo de margarina, creme de leite, gordura de picanha, açúcar e farinha refinada. Fora as coisinhas tóxicas que nascem do tédio da vida.
Será que o paladar deles é muito diferente ou isso é cultural, desenvolve-se com o hábito? Quem sabe se nascêssemos de pais criados com uma ração para humanos e que nos dessem só dessa ração, acharíamos normal?
É claro que quando a “ser humano” aqui do pedaço resolve dar alguma coisa que elas me pedem do cardápio duas-pernas, elas comem com prazer, como pedacinhos de carne, peito de peru, de vez em quando a tampa de um iogurte pra lamber. Mas é coisa pouca. E isso porque dou, porque se não desse, tanto fazia. Comida deliciosa mesmo é aquela coisa que parece serragem aglomerada, na qual elas babam e fazem cróc cróc. Mesmo quando trago um pouco do que chamo “comida de lata”, a ração úmida, elas entendem como uma exceção, um sábado, um domingo melhorzinho.
Sei que existem também muitos bichinhos que não vivem de ração, que é algo caro. Quando eu era pequena meus pais cozinhavam pescoço de frango ou pedaços de carne com polenta para o cachorro, e deve haver muitos animais criados assim até hoje. Mas a comida é quase um tipo de ração, sempre igual, sem tempero, sem sal. E caso fossem acostumados com ração, também não faria diferença.
Será que esse nosso apetite por iguarias e rebuscamento gastronômico é uma das coisas que diferencia animais racionais e irracionais?
Já pensou um gato viajando para outro país e correndo em busca da ração local para experimentar? A gente faz isso.
Parece que até existem tentativas de pessoas isoladas de viver à base de dietas restritas e suplementos alimentares, em busca de uma vida longa. Mas a gente lê sobre isso e torce o nariz, parece que a vida não tem graça sem essa comidaiada diferente, os cheiros, as cores. Vida longa que nada, pensamos. Que se dane!
É como eu gosto de dizer: esses serezinhos que vivem de ração e entretêm nossos dias nesta Terra é que são os “racionais”...

enviada por Penélope



02/08/2005 20:29
Estou aqui olhando para meus rabiscos.
Na minha agenda, no dia de hoje, li um ditado: “Não declares que as estrelas estão mortas só porque o céu está nublado.” Pensei: se eu fosse marketeira do PT, poderia usar, encaixaria bem.
Mas na agenda estou olhando também os meus rabiscos de pensamentos, e um deles é: como seria o seu nome se você fosse índio americano, daqueles de filme? Sei lá, é apache? Nos filmes eles sempre têm uns nomes que define suas personalidades, e isso me parece complicado. Já pensou que confusão? Quanto Índio Enrola CPI ia ter?
Vou pensar nuns pra mim: Índia Fica Morgando. Índia Num tô Nem Aí. Índia Confunde Caminho Toda Hora. Índia Gosta de Breja. Índia Só se Ferra.
O Ulisses podia ser: Índio Perna Bamba. Índio Vira-a-Mesa. Índio Gosta de Praia.
Hum, vão pensando. Quero ver comentários com seus nominhos, se virem.

A verdade é que estou mudando a cada dia, embora se diga que pau que nasce torto morre torto.
Nunca usei agenda, agora uso. Uso pra caramba.
Outro sinal é que eu até comprei um celular!
É daqueles basiquinhos, mas ainda não fiz amizade com ele, não sei usar direito, estamos no flerte por enquanto. Ele quase nunca toca, muito menos eu telefono pra alguém, mas eu comprei porque me encheram o saco dizendo que era algo útil para o trabalho. Que era papel feio uma profissional assim independente, competente, moderna, fashion, cibernética, não ter como ser localizada. É, vou dar uma chance a ele.

Que mais? Comprei uma bota com um bico quase fino (a Diana disse que não é tão fino!). Tá bom, mas pra mim é, eu sou daquelas de usar aquelas botas de bico redondo, quadrado, quase exército, no máximo um salto anabela (que nome horroroso).Nunca encarei um saltinho fino desses de matar barata em canto de parede. Mas agora tenho uma que parece os sapatinhos do Locomia. Fiquei muito elegante, vão rindo.

Outra coisa que fiz, que nunca tinha feito: fui num restaurante japonês e comi sushi. Eu jurei que nunca ia comer aquela coisa crua. Bom, com os temperos não é tão mal. Aliás, a raiz-forte desentope até pensamento! Comemos tanto (Índia Que Estuda em Floripa e eu) que ficamos com medo de sermos seguidas por gatos na rua. E minha barriga parecia um aquário!
Agora, tem coisas que eu não faço.
Não conto, tá bom? Índia Esconde o Jogo.


enviada por Penélope



29/07/2005 15:17
(Li a frase acima em um banner para as pessoas começarem a fazer blogs do Blig, achei graça e resolvi voltar.)

Nossa, meu blog está cheio de mofo e teias de aranha.
As idéias vão passando como borboletas, mas a minha cestinha de caçar está um pouco furada.
Assim que pois então, ora porém, resolvi dar uma arejadinha aqui hoje, abrir as janelas.
O mês de férias passou depressa, e muito embora eu não tenha tido nenhum descanso, estava achando bom a cidade mais vazia, o trânsito mais livre. Os estudantes dão uma boa aliviada no nosso sofrimento quando vão passear! Mesmo porque devem levar junto suas mães motoristas... sem falar no pessoal que aproveita julho para tirar férias. E no pessoal que faz cirurgia plástica e fica escondido dentro de casa, preparando-se para o verão.
Dizem que esses meses frios viram uma verdadeira temporada de lipoaspirações e liftings faciais. O pessoal aproveita, pois além de passar mais desconforto no verão, ficar com muita roupa para se esconder deve ser mais complicado.
Bom, eu ainda não aproveitei julho para me recauchutar. Ainda não! Tentei recauchutar a cabecinha, mas está difícil...

Bom, vou deixá-los com essa figurinha mimosa que é nada mais do que eu mesma em desenho do South Park. A minha Little Peps passou este link engraçado, onde a gente pode construir nosso personagem do South Park, colocando as características. Não ficou legal? Ela que escolheu os detalhes, saquem os zóinhos azuis e a garrafinha de vinho, devia ser de cerveja, mas tudo bem... Vão lá e depois me contem, é bobinho mas é divertido. Have fun!

enviada por Penélope



17/07/2005 17:41

Fiapos de pensamentos de uma miolo-mole:

Primeiro ato
Um dia, ela pintou os olhos com lápis escuro para sair, e todos que nunca a haviam visto pintada elogiaram. “Você fica tão bem, por que não usa assim pintados, sempre?” Perguntaram.
E ela começou a usá-los assim diariamente. No primeiro dia, mais alguns repararam. No segundo, quase ninguém.
Daí em diante ninguém nunca mais elogiou, porque deixou de ser novidade. Passaram-se os dias.
Então ela nunca mais pintou os olhos, nem mesmo para sair.

Segundo ato
Ela nunca aprende, nem mesmo com a experiência. Sempre se enxuga com a toalha depois do banho e se esquece de desviar do último pingo de água do chuveiro, que cai nas costas e gela a espinha.

Terceiro ato
Mulheres e seus segredos. A beleza e a perfeição estão refletidas friamente no espelho ou dentro desse saco de pele que cobre músculos, ossos e órgãos? O que é a verdade?
Uma moça ficou triste porque olhou num espelho cruel da loja de departamentos. Estou feia, estou torta, estou branca, estou mole, gemeu.
A outra moça, que não era lamurienta e era um tipo de fadinha, acalentou: vamos inventar um novo tipo de provador de roupas? Ao provar um biquíni, a luz será pálida, a cortina será lânguida, uma poção mágica de fino aguardente e néctar dos deuses poderá ser degustada, a música será gentil, o espelho será ligeiramente jateado, seremos sempre as mais lindas e perfeitas das sereias...

enviada por Penélope



11/07/2005 18:56


Lembra quando...?
É só reunir uns três véios e baixa a nostalgia, o passado começa a ser muito mais interessante que o presente. Por que será? Com duas piadas já começa a ressurgir a calça Calhambeque. “Sou do tempo que as marcas de calça jeans eram Lee, Topeka e Calhambeque”, comenta sempre um, coçando a careca! Mas ontem na aula de inglês a gente foi pior que isso, desencavou a seguinte cantoria, que não lembro de onde saiu: Ai ai ai quem trupica também cai, trupiquei no pé da mãe, fui parar no pé do pai.
De onde veio isso? É uma musiquinha de um palhaço? Alguém me ajuda? (Si ocês são véio, claro!). Digitei no Google mas não apareceu nada.
******
Sujos na rodinha
A CPI virou assunto de rodinha. Vi um grupo animado na academia, falando alto e rindo, cheguei perto e era todo o mundo metendo o pau nos depoentes da CPI dos Correios. Criticando a cara-de-pau dos sujeitos. O Marcos Valério. A secretária! Como mentem descaradamente! Não estão nem aí pra perna curta. Mas uma coisa isso trouxe de bom: o pessoal anda acompanhando a TV Senado igual novela.
Pois é, li uma vez um texto de um psicólogo que afirmava que a mentira, em vez de um “pecado”, é uma habilidade que mostra inteligência e existe como necessidade social necessária ao convívio humano.Nem sempre podemos dizer a verdade. E que a gente mente, em média, 14 vezes por dia! Bem, alguém passou a mão na minha parte! O máximo que eu faço é dizer que o corte de cabelo de alguém ficou bom.

******
Gozando e andando
Mais pedaços de vida besta. Estava parada no farol dentro do carro, obrigada a olhar um moleque carente e abestalhado fazendo daquelas acrobacias supostamente malabares com bolinhas de tênis, errando tudo. É, além de garoa e rodízio também temos malabares em São Paulo.
Olhava o rosto dele, olhos completamente vesgos, nariz torto, uma triste mistura de genes, pobrezinho. E ainda por cima parecia meio lelé da cuca também.
E o que pensou cabecinha de Penélope? Que, de qualquer modo, a existência dessa pessoa comprovava pelo menos a realização de um orgasmo, uma alegriazinha. Digo pelo menos um, já que suponho que a maioria das mulheres não atinge o dito “ápice” numa relação, mas os homens, sim. Então, pelo menos alguém foi feliz na hora de gerar aquela criatura, nem que tenha demorado dois segundos.
Em seguida olhei para a rua e vi as pessoas passando pra lá e pra cá e calculei quantos orgasmos ambulantes! É, pelo menos um!
E depois tentei identificar quem seria fruto de um orgasmo simultâneo. Serão pessoas nitidamente especiais? Mais felizes, mais espertas, mais inteligentes, mais porretas, mais tontas, mais freaks? Ou isso não importa absolutamente, como tudo que escrevo aqui?


enviada por Penélope



06/07/2005 16:11
Sempre vejo cartazes ou faixas por gente procurando bichinhos desaparecidos. Procura-se gato ou cão, o dono é uma pessoa doente... etc.
Engraçado termos animais em casa e de repente, ao ganhar a rua, o bicho se desgarrar e muitas vezes nunca mais voltar para o lar que o abrigou. Sem a menor memória de onde morava.
Quando era menina na minha cidade do Interior, há muito muito tempo, se as pessoas não queriam mais cachorros ou gatos de uma nova cria, e que não conseguiam ser doados (imagine se alguém fazia castração naquela época), botava os filhotes no carro e levava bem longe de casa para “largar” à própria sorte.
Quando reflito sobre esses gestos tão comuns na época, sinto um nó na garganta pela crueldade contida, mas que no entanto, era natural. Parece que ainda hoje tem gente que se “livra” dessa forma de seus animais domésticos, principalmente quando eles crescem, atrapalham, ou as pessoas mudam de casa. Ainda tem gente fazendo dessas coisas horríveis no século 21. Infelizmente.
Mas por outro lado tem gente entristecida procurando nas faixas os seus bichinhos, que nem sabem que são tão amados e quase insubstituíveis. Mas pelo menos aqui na região onde moro, que é de classe média, quase não vejo animais andando soltos pelas ruas. Virou uma raridade ver um cachorro do rabinho enrolado mijando num poste. Por isso quando vejo algum, já penso logo que está perdido. Acho que isso é um sinal de progresso, porque se andarmos pelos bairros da periferia, as ruas certamente estarão infestadas de cachorros e gatos soltos, ou sem donos.
Os pesquisadores e sociólogos bem poderiam aproveitar mais esse fator como sinal de miséria! Mas voltando aqui à Elitópolis, nossos bichos estão enjaulados nas nossas jaulinhas, exclusivos para nosso deleite. E enquanto os gatos entediados ficam à espreita de passarinhos nas sacadas teladas, os cães esperam ansiosamente pela volta dos donos de seus escritórios para poderem dar uma fungadinha nos postes, sempre protegidos pelas coleiras e guias.
Novo mundo. Não sei se bom ou ruim.
E mesmo não vendo muitos cachorros nas ruas, meu vizinho já “pegou” na rua dois cachorros adultos para criar, mas nem sei se foi por aqui ou mais longe. Também não sei se tentou procurar os donos, mas um dos cachorros estava muito doente e morreu após uns 6 meses, e agora ele apareceu com outra vira-lata adulta, a quem deu o nome de Bel. A bichinha é tratada com muitos rapapés e mordomias, e quando observo aquele caso de amor fico pensando: nunca saberemos se ela foi maltratada e abandonada, ou se de repente fugiu de alguém que depois colocou uma faixa e nunca a encontrou, e agora, enfim... ela tem um novo lar, por sorte muito bom.
E vendo hoje perto da Vila Madalena um cachorrinho pequeno correndo sozinho pela rua, que originou todos esses pensamentos, já emendei com outros setores da vida. E se os amores das pessoas fossem assim, de repente nos desgarraríamos da pessoa amada, nosso atual dono (do coração), e correríamos pelas ruas sem saber onde pousar, perdendo o cheiro da casinha?
Nosso antigo amor botaria uma faixona “procura-se” mas, ou a gente prossegue o resto da vida vagueando e comendo restos, ou um novo amor nos acolhe, depois até lê a faixa, mas prefere ignorar e não nos devolver porque se afeiçoou? Ou nunca verá a faixa porque não mora no bairro e ignorará todo nosso passado para sempre, passando uma borracha, dando um novo nome e um novo aconchego.
De vez em quando ao fazermos gestos aparentemente sem sentido, ou sem correlação com a realidade, de medo ou de prazer, nosso dono pensará: o que terá acontecido a essa cachorra? E olhará nossos dentes e cicatrizes à procura de uma história.
Quantas pessoas agora estariam procurando o antigo amor, quantas pessoas encontrariam o amor perdido de alguém e seriam felizes? As ruas ficariam lotadas de faixas?
E a gente distraído, inconsciente, usufruindo das novas mordomias e esquecendo o passado. De amor ou ódio. Raçãozinha premium, agüinha limpa, cobertorzinho.
Ai meu Deus, tudo começou com a história dos cachorros...

enviada por Penélope



27/06/2005 20:52
Bem, como a maioria de vocês já sabe, a primeira cirurgia de hérnia de disco do maridão Ulisses teve um pequeno incidente de percurso e vai precisar ser refeita (a pecinha que o médico colocou acabou se deslocando, maior zica!).

(Fiquei evitando tocar no assunto porque não era bem meu propósito fazer um blog confessional, mas às vezes não consigo evitar, a história da minha vida besta é tema de fundo...)

Mas não quero aqui tecer considerações sobre culpas. Além de não interessar como tema, já passamos essa fase.

Se ele fosse um job, como se chamam os trabalhos dos clientes nas agências de publicidade, eu diria que ele está num processo de refação.

Pior que, para a refação desse job, o cliente está sem verba, capisco? O cliente, nesse caso, atende pela alcunha de plano de saúde, mais conhecido como plano de doença, que está enrolando para liberar nova cirurgia, etc. e tal. E olha que é um plano de saúde bom!

Resumindo, Ulisses está hospitalizado há oito dias sem fazer nada, esperando a tal da autorização da cirurgia que não sai. Parece a história do O Processo, do Kafka. É claro que ele também foi internado pelo receio dos médicos com o deslocamento da pecinha, que causou um calombo nas costas, e quiseram prevenir, mas se a autorização já tivesse saído, bem... ele já estaria de volta.

Já perceberam por que estou meio sumida?

Tenho ido e voltado de lá, às vezes durmo, às vezes só vou passar umas horinhas.

Mas o que quero contar hoje é que ele está estranhamente bem-humorado no hospital. Não sei se eu estaria!

Da primeira vez estava certamente mais nervoso. Agora, parece o Menino da Bolha, fica lá deitado com sua supercama que só falta falar (sobe, desce, inclina) e seu controle remoto com 15 canais. Refeições, cinco por dia! Jornais, revistas, palavras cruzadas, walkman, notebook, visitas, conversas com o pessoal do hospital... a vida vai passando. A previsão é para cirurgia amanhã (dia 28).

A gente tenta levar a coisa toda do modo mais leve possível. Mas ele está se superando, sai com cada uma!

Quer saber tudo que estão fazendo, os nomes dos remédios, os procedimentos, já está quase um médico!
Diz que para ser um ortopedista só falta operar...
Claro que são coisas que ele preferia não saber, mas...

Quando a enfermeira entra no quarto e começa com a ladainha de perguntas, ele tem sempre as respostas engraçadinhas:
- O senhor está bem?
- Se eu estivesse bem, estaria na praia!
- Está doendo alguma coisa?
- Por que, era pra doer?
Se a moça diz que volta dali a pouco, ele responde:
- Tudo bem, eu vou estar aqui, juro que não vou sair!
-
Quando a gente liga pra ele também vem uma gracinha, “eu estava aqui do lado do telefone só esperando você ligar”.

Mas o mais engraçado é que ele confirma o que muita gente já disse, que no hospital se perde toda a sexualidade: ele já levou banho de esponja na cama com um monte de mulher feia, já ficou de avental com a bunda de fora e todo mundo no quarto viu, e que não dá pra se excitar quando uma mocinha mais ajeitadinha entra de prancheta no quarto e pergunta se ele já fez cocô!

Outro dia eu estava lá e a mulher da limpeza foi trocar a roupa de cama, ele levantou e saiu andando de cueca pro banheiro, tipo “tô nem aí”.

As enfermeiras vão lá e ficam rindo com ele. Se alguém o chama de senhor: “Tudo bem, senhor Ulisses?” ele diz: “Estava bem até agora, mas quando você me chamou de senhor acabei de envelhecer dez anos...”

E outro dia foram duas moças para acertar uma veia nova para o cateter (ele está tomando antibiótico como prevenção), tinha um povo no quarto de visita e ele disse: “Sempre sonhei com um monte de mulheres em volta de mim na cama, mas não me picando!”

E se algum de vocês pensar em dizer que está rezando por ele, ele já mandou uma resposta pronta: vai fundar uma igreja quando ficar bom!
É isso, gente, que a fila tem que andar...




enviada por Penélope



22/06/2005 12:16
Eu nem fui no tal do chá. Mas três das minhas manas se reuniram outro dia em casa de mana Cidinha, onde foi servido um chá, ou café, sei lá – nem fui – mas que tinha como petisco um tal de pão de mandioquinha.

Já vi e já comi pão de batata, e até de abóbora, mas de mandioquinha, nunca. Mas diríamos que é um tubérculo interessante e apetitoso, não?

Pois então, depois do tal encontro, a Cidinha repassou a pedidos das outras um e-mail com a receita do tal do pão. Eu entrei no rolo. Certo que nem provei, mas pareceu realizável. Pensei, que maravilha, mandioquinha é tudo de bom, está com cara de ficar excelente. Resolvi fazer logo, porque se eu pegar uma receita e guardar, nunca mais faço, esqueço completamente, fica lá no fundo da gaveta.

Assim, imbuída de grande motivação, comprei os ingredientes que faltavam, o fermento e a mandioquinha em si.

Antes de comprar, porém, ainda tentei esclarecer com a colega Eugênia da academia, dona de certos dotes culinários, uma dúvida que não queria calar: esse meio quilo é de mandioquinha crua, com casca e tudo, ou é descascada e cozida?

Ela se matou de rir me julgando uma principiante: é claro que é comprada! Não sei por que seria claro, a receita é uma coisa enigmática, desde esse momento eu devia ter percebido. Era um sinal.

Bom, comecei minha aventura na hora do almoço. Com umas panelas ligadas aqui e ali, cozinhei a mandioquinha e amassei, que aliás, em outras regiões do Brasil parece que é batata-baroa!

Daí fiz como na televisão, separei os ingredientes, organizei tudo e comecei. Fermento no leite morno! Pimba! Os quatro quadradinhos não queriam se dissolver de modo algum, ficavam grudentos e eu amassando. O seguinte passo acho que eram os ovos. E a tonta abriu todos direto no leite com a gosma de fermento; é claro que as gemas ficaram escorregando pra cá e pra lá e não queriam também se misturar. Demorei um certo tempo, mas ficou mais ou menos. Talvez se eu batesse antes... daí entrou a senhora margarina, só uma colher, mas que droga, ficava boiando! Outro arrependimento, devia ter derretido no micro!

Bom, daí joguei a mandioquinha amassada na mistura e formou-se uma gororoba esquisita. Não se agregava de modo algum, até que resolvi entrar com a farinha! Cidinha tinha escrito: 600 ml de farinha, a tonta acreditou e até pesou. Joguei lá e nada. Aquilo parecia o triângulo das Bermudas, quanta farinha jogasse, a massa gororobenta chupava! E continuava mole... Acho que botei mais de um quilo!

A questão era: como fazer pãezinhos?
Pela aparência da mistura, lembrei até da cola de farinha que fazia quando era pequena, para colar as folhas de papel de seda e fazer pipa (na minha cidade chamávamos de papagaio...).

Quando arrisquei botar a mão na coisa para avaliar o grau de melequice, a situação apertou. Minhas mãos sumiram, e nada de sair. Tive que raspar com a colher e lavar a mão para recomeçar.

Gente, parem de dar risada! Eu já fiz muito pão na vida! Adoro fazer pão integral e sempre dá tudo certinho! Mas o endiabrado do pão de mandioquinha queria me passar a perna. Era ele, ou eu!

Então decidi jogar a coisa na mesa, enchi de farinha pra todo lado (momento em que caiu um monte no chão) e fiquei tentando desgrudar a massa da tigela. Sobrou um monte grudado, que eu raspei pra aproveitar. Mas aqueles ficaram sequinhos, aparecendo na massa. Prometi que não iria desesperar, fazer pão tem que ser um momento zen...
Bom, eu suei, gente. Amassava, botava farinha, amassava, raspava a mesa, é claro, botava farinha, grudava de novo! Estava rindo sozinha na cozinha para não passar energia negativa pro pão!

Bom, a culinarista Cidinha ainda escreveu: faça bolinhas! Bem, fiz as bolinhas do tamanho que achei, sofrendo, passando farinha na mão, mas deu certo. Enchi duas formas inteiras de pão, beleza, estavam lindos. Pincelei com ovo e deixei crescer.

Quando fui olhar, depois de uma meia hora, eles pareciam uns monstros enormes, grudados uns nos outros, de tanto que cresceram! Mas pelo menos não ficaram embatumados, pensei, sinal que a farinhada não atrapalhou. Seja o que Deus quiser, botei no forno e lá se foram as belezuras assar.

Durante o processo, pensava: essa receita da Cidinha está toda furada, mas não podia ligar pra ela, era horário de trabalho e eu nem tenho o número de lá. Só faltava esse vexame!

No fim deu certo, gente, olhem a foto! Eles ficaram grandões, mas muito-muito bons! São macios, fofinhos, coisa de profissional. Mas nada de gosto de mandioquinha.



Ah, e nem contei o monte de coisas que tive que lavar, tudo grudado, mesa, chão... ufa.

Mandei a foto pra mentora deles e ela tirou muito sarro de mim. Observações: as bolinhas tinham que ser menores, ela esqueceu de dizer que dá 40 pãezinhos pequenos... que mais ela esqueceu? Que a mandioquinha tem que ser cozida no vapor para não pegar muita água... que o fermento biológico seco é melhor que o outro... e detalhezinhos que não lembro.

Todo mundo adorou e caiu de boca, e quando avisei que ia congelar ao menos um pra minha pequena Penélope que mora longe, para experimentar quando viesse, houve reclamações, do tipo: ah, mas daí você faz de novo!
Não quero nem pensar nisso por enquanto, estou igual parturiente recente, filho é lindo, mas nunca mais!

enviada por Penélope



20/06/2005 15:35

Nesta terra de mensalão, de homens nojentos e corrompidos, nem dá gosto viver, não é mesmo? Dá vergonha de ser brasileiro.
Mas vou dar uma de Poliana e colocar aqui um texto que escrevi mês passado a respeito de uma pessoa do povo que, como muitas que já observei, parecem ter nascido num poço de felicidade.
Ela acorda todos os dias às 4 da matina e toma duas conduções longas para chegar ao trabalho, ganha pouco mais que o salário mínimo, tem dois filhos para criar, mas não tem nunca um momento de ódio ou desânimo. Pelo menos, eu nunca vi! Passa o dia trabalhando sem parar, dando risada e de bom-humor. Não quero dizer que ela não precise de dinheiro, é lógico que seria bem-vindo, mas não parece ser condição anterior à sua felicidade.
Apresento a vocês a Lu, uma pessoa sem lamentações, e cuja alegria de viver dá uma pontadinha de inveja!
É só um trechinho de uma conversa que tive com ela:



Estou olhando no mural da firma as fotos dos animaizinhos de estimação dos funcionários. Gatinhos, cachorrinhos, um furão... a copeira, muito simpática, passa por ali com a bandeja na mão, sorrindo. Diz para mim:
- Olhando os bichinhos?
- Tô. E Você, Lu, não tem bichinhos em casa?

(O Lu dela não é nem de Lúcia nem de Luciana, é algo indecifrável que só o povo do Nordeste consegue criar: Ludenércia, Ludecrécia, sabe Deus o quê.)

Ela - Meu marido tem uns passarinhos. Mas eu só crio um casalzinho... diz, marota (são os filhos dela).

Encosto no umbral da porta pra puxar conversa. Enquanto conversa ela vai passando o paninho branquinho na máquina de café, limpa que limpa, depois lava louça, deixa tudo tinindo, move-se rapidamente de um lado pro outro. O tempo todo sorrindo.
- E o seu filho? Arrumou emprego? pergunto.
- Ainda não. Mas está fazendo um curso muito bom. - diz, satisfeita e orgulhosa.
- Mas curso de quê? De informática?
- Ah, isso eu não sei. É um tal de microlins.
- Mas o que é? Não é computador?
- Não, quando eu fui pagar o curso, o moço disse que é um curso completo, tudo profissional, tem tudo, não é só computador, tem as coisas que precisa tudo. Ele disse: seu filho já tem 16 anos, não adianta só informática, precisa saber tudo.
- Ah – digo sem entender exatamente o que é-, mas tudo bem. E ele sabe mexer em computador?
- Ah, sabe. Não tenho em casa, mas na escola tinha, e “naquele negócio” que junta os meninos do projeto Bater Lata também tinha... então ele ia lá e aprendia, mas eu tirei de lá, porque nem tinha “apostila”, ficavam só brincando.
- Ah, que bom, pelo menos ele tem algum conhecimento, né.
- Agora, eu! De computador só sei desligar! Quando vou limpar e o Geraldo manda: Lu, vai desligando tudo, eu já sei! aperto o botão e tchuc! Se a luz apaga, desligou... – fala e dá uma sonora risada.
Saio da cozinha acreditando que a vida devia ser muito menos complicada se a gente pensasse como a Lu!

enviada por Penélope



08/06/2005 21:32
Pô, não falei mais do Ulisses...
É que provavelmente todo mundo que me conhece pessoalmente já sabe que a cirurgia foi bem e que ele está se recuperando... Daí esqueci dos outros amiguinhos virtuais!
Mas depois dessa correria toda pra cima e pra baixo, hoje a enfermeira Penélope deu uma desanimada feia, bateu um encosto, não sei por quê...
I´m down I´m feeling down, como dizia o Paul McCartney.
Na academia o treino não estava fluindo, não consegui pegar os mesmos pesos, fiquei meio jururu, fui embora mais cedo sem fazer esteira. Sabe quando a coisa não engata?
Na volta acabei indo levar maridão na casa da mamis para resolver uns assuntos familiares, passei no Shopping Butantã e almocei sozinha num quilo.
Fui olhar vitrines sem destino certo...
Depois encontrei umas calcinhas básicas com preço bom, fiquei na maior dúvida, mas como não se pode experimentar, paciência... Cheguei aqui e não gostei dos modelos no corpo, que droga, por que as cuecas se pode trocar e as calcinhas não?
É uma coisa de contaminação ou de zelo excessivo?
Bem, seguindo o exemplo de Poliana, ainda bem que não comprei na Daslu!

Vou deixar um poema de minha própria lavra então, que fiz ontem no chuveiro:

AFASIA

Tem tanta coisa que li que nem lembro
Tem tanta coisa que li que nem
Tem tanta coisa que li que
Tem tanta coisa que li
Tem tanta coisa que
Tem tanta coisa
Tem tanta
Tem


(Alguém se lembra o que é afasia? Tá bom, vamos lá, copiei do Houaiss: no ceticismo grego, silêncio filosófico, abstenção consciente de qualquer juízo originada pelo reconhecimento da ignorância a respeito de tudo que transcenda as possibilidades cognitivas do ser humano, ou: enfraquecimento ou perda quase total do poder de captação, manipulação e por vezes de expressão de palavras como símbolos de pensamentos, em virtude de lesões em alguns centros cerebrais e não devido a defeito no mecanismo auditivo ou fonador). Ufa! Pode reler, tá...

enviada por Penélope



02/06/2005 15:43
Quando se estuda inglês, nós brasileiros ficamos perdidos no mar dos falsos cognatos. Calma, não são uns amigos sacanas, nem falsificadores de bebês.

São palavras aparentemente iguais na grafia das duas línguas, mas cujo significado é completamente diferente. Eles são trapaceadores, enfim, pegam a gente de calças curtas.

Hoje minha professora de inglês explicou à classe alguns desses diversos pestinhas. Um brasileiro ao ler comprehensive vai logo pensando que quer dizer compreensível mas não é. Compreensível é understanding... comprehensive quer dizer amplo, abrangente. Então aquele livrão, calhamaço duro de roer, que alguém chamou de “a comprehensive book”, deixando-nos humilhados de ignorância, é somente abrangente, ufa.

Compromise, que dá a maior pista de ser compromisso, não passa de acordo, acerto. Ou seja, melhor não dizer que se tem“compromise com o namorado... No caso, é commitment.
Em tempo: cognato quer dizer palavra que vem de uma mesma raiz que outra.

Quando se tem acesso ao conhecimento, ou se nasceu com o passarinho da curiosidade, é mais fácil ir improvisando. Com execeção dos casos acima, claro... Fora isso, o inglês é como um endereço com vários caminhos para chegar. Ou a gente escolhe o caminho mais longo, ou corta pelas transversais. Uma hora chega, né? Mesmo que fique parado no boteco esperando melhorar o trânsito!

Falando com as mãos
Ao se falar inglês, é muito importante dar a impressão de domínio da língua, mesmo que isso não seja verdade, e isso você não consegue abanando as mãos e fazendo gestos descritivos compulsivos ao mesmo tempo em que se gagueja. Melhor só gaguejar! Muletas como essas não contribuem para o aumento do vocabulário.

Acho que um bom passo é tentar segurar esse lado italiano, restringir os gestos e falar pausadamente, encarando o interlocutor e fazendo de conta que está pensando, nem que tenha que dizer um monte de well, I guess, I mean, anyway. E decorar frases-chave mais simples. É muito chato ver uma pessoa se debatendo ao nosso lado.

Isso é o que eu acho e pratico, mas para quem não se preocupa com conhecimento e só quer se comunicar existe o tal do “Globish”. Uma matéria recente da Veja (acho que 2 ou 3 edições atrás) comentava o nascimento dessa espécie de nova língua no mundo, um inglês global, com o qual seria possível se comunicar sabendo cerca de 2 mil palavras básicas e, é claro, usando-se muitos gestos para compensaras falhas! Com algumas palavras básicas a gente pode, por exemplo, se referir a cunhado em inglês, como o irmão da minha mulher, e por aí vai.

Pode ser interessante para executivos estressadinhos da globalização e viajantes de miolo mole, mas para mim, nada feito. No deal. Gostoso é afundar no vocabulário e brincar com as origens dos vocábulos, coincidências da língua, etc.

Traduções literais inglês-português, por exemplo, são uma forma brincalhona de se divertir na hora de aprender, ao estilo Millôr (a vaca foi pro brejo=the cow went to the swamp).

Ou “between” (entre) para substituir o “entre” do verbo entrar. Brasileiros são muito engraçadinhos. E registro a “versão” que fizemos hoje para o nosso ditado brazuca “não cheira nem fede”: “That man doesn´t smell nor stinks.” É claro que em inglês existe uma outra forma de dizer a mesma coisa, mas ninguém se lembrou na hora. Bom, cada um se diverte como pode, e já que curto brincar de semântica na própria língua e sou uma fã confessa de dicionário etimológico, acho “cruzar” as duas línguas ainda mais interessante...

Um pouco de cultura para gentios
Os gramáticos dizem que os brasileiros têm algumas vantagens no aprendizado do inglês. A quantidade de fonemas que temos, por exemplo, facilita a pronúncia de muitos sons em inglês. Mas a principal vantagem é a origem comum latina de ambas as línguas.

Quem não se lembra das aulinhas de história e das conquistas do Império Romano? Anexa, Júlio César! Pois é, a então chamada “Britannia”, região da Inglaterra de hoje, estava lá bem quietinha com sua cultura celta-britã mas passou a ser um território invadido pelo exército romano e anexado a ele em 54 AC. Ou seja, durante três séculos os povos dali assimilaram a nova cultura e a linguagem dos invasores, que era, claro, nosso querido latim.

Foi o início do processo de nascimento da língua inglesa, que demorou séculos e só se esboçou como é agora depois de 1500, ou seja, na época do descobrimento do Brasil. Antes era uma confusão geral de dialetos, com o latim presente na gênese.

Mas o que quero destacar disso é que o vocabulário de origem greco-latina introduzido na Inglaterra foi aquele ligado aos chamados “conceitos abstratos”, por exemplo, sentimentos, pensamentos. Até então a linguagem anglo-saxônica era basicamente funcional, usada para descrever fatos concretos. Andar, comer, entrar, sair...

Bom, a história é comprida, mas depois disso tem os alemães, os franceses (normandos...) e o inglês foi se formando como é hoje. Mas os historiadores afirmam que esse vocabulário inglês comum, falado inclusive pelas pessoas mais simples, mas não restrito a elas, ainda está baseado no anglo-saxão de antes das conquistas!

E hoje, os nativos de língua inglesa bem-educados e intelectuais se destacam por adotar palavras surgidas dos conquistadores, como romanos e franceses (os últimos dominaram a região por mais 300 anos). E são justamente essas palavras que os brasileiros mais têm facilidade de reconhecer. Logo somos muito chiques.

Por outro lado, temos dificuldade de memorizar aquelas do dia-a-dia, o tatibitati dos ingleses, americanos... A tortura dos up, down, out, in, que vem embutida nos phrasal verbs. Alguém tem uma pílula para aprender todas as possibilidades que eles inventaram? Bom, não se pode ser bom em tudo, né?

Agora tenho sérios planos de exterminar esses malditos falsos cognatos. Sei quase todos, mas sempre tem um pegando no meu pé. E para terminar deixo esta pegadinha com vocês: She agonized for several days because of the prejudice. Não é Ela agonizou por vários dias por causa da prejuízo., mas Ela preocupou-se intensamente por vários dias devido ao preconceito.

enviada por Penélope



31/05/2005 14:12

Criei hoje uma nova subdivisão psicológica...
Dividi as personalidades das pessoas entre:
1- as que prestam atenção realmente nos outros e se preocupam com seus problemas.
2- as que fazem cara de paisagem e nem fazem questão de fingir interesse.

Sabe aquele conhecido que você não vê há um tempão e que te pergunta: “Como vão as coisas?” e quando você começa a responder, ou corta a sua resposta no meio, ou faz um olhar vago, gênero somewhere, over the rainbow?
Já faz tempo que noto a existência desses tipos, mas hoje a coisa se “esboçou” quando fui fazer uma lista de pessoas mais chegadas para quem mandaria um e-mail informando da saúde do Ulisses.
Pensava: esta aqui sim, esta aqui não...uma classificação não pelo grau de amizade em si, mas pelo possível interesse do receptor, “a bola que vai me dar...” Aquele que vai ler e pensar: “E o Kiko?” Ou pior; não vai nem lembrar que eu já tinha mencionado a novela toda.
E nem é por maldade, é um traço característico, não são más pessoas, continuam sendo suas amigas, embora superficiais, mas... não é engraçado quando você percebe que os assuntos que não sejam referentes “a eles mesmos” não “grudam”? A conversa não vai pra frente?
Pior, são pessoas que você tem certeza que, se contar algo pessoal, aquilo vai entrar por um ouvido e sair por outro. Por exemplo, existem pessoas que não são minhas amigas íntimas, mas assim que souberam do lance da cirurgia, foram gentis me perguntando detalhes ou, no mínimo, dando uma atençãozinha a mais e sugerindo alguma coisa.
O professor Gustavo, por exemplo, que no trabalho já é muito atencioso, me surpreendeu mostrando um interesse especial, primeiro reparando que eu estava chateada, depois indicando médicos que conhecia. Hoje não fui malhar, ele me telefonou, pedindo notícias e tudo. Dou esse exemplo não para elogiar pessoalmente o Frotinha, mas para comparar as tais “personalidades”.
É que o professor anterior era a maior cara de paisagem e era capaz de passar um treino num dia e no outro perguntar: “EU te passei esse exercício? EU falei pra fazer assim? Dei CINCO exercícios de panturrilha? Acho que estava doido!“
Ou então: “Amanhã vou te passar um treino aeróbico assim e assim.” E no dia seguinte não sabia nem o meu nome. Dãã. Ah, mas quando queria falar sobre os problemas com a ex-esposa alugava o meu ouvido por uma hora!
Mas voltando ao lance da cirurgia, também notei pessoas que souberam da doença por me ouvir comentando com outras, ao lado, mas nem por isso se alteraram: ah, vai operar? Ah... E tchau.
E ao me reencontrar no dia seguinte nem lembraram mais da história, continuaram nos assuntos triviais, falando de si mesmos, de suas doenças, o pau que deu no computador, blá blá blá, sei lá... parece que aquela cabecinha não está salvando nem um arquivo! E não é de hoje...

Não estou me sentindo despeitada, não, tenho recebido bastante atenção, é só uma constatação amadora “pixicologuesa” - mana 4 não me deixa mentir, ela conhece bem algumas figuras desse calibre...
Tenho algumas dicas para lidar com isso. Não falo nada significativo a não ser que perguntem. Respostas longas, nem pensar. Os assuntos devem sempre se referir a eles. Que blusa bonita! Então, sarou da gripe? Assim.
Engraçados os seres humanos. Estou tentando entender, mas acho que o tempo não vai ser suficiente... eita, como é mesmo o velho deitado? Quanto mais se vive, menos se aprende.
Mas que é mais cômodo fazer cara de paisagem, lá isso é.

enviada por Penélope



24/05/2005 16:50
Deixei de comprar jornal de domingo há tempos, cancelei assinatura e tudo. Mas neste domingo que passou, comprei um para Ulisses ler.
Ele ficou um tempão lendo, mas eu... Leu tanto que eu fiquei curiosa e tentei mais uma vez.
Vou analisar para vocês os meus métodos.
Primeiro eu “descasco” todos os cadernos.
Separo o “lixo”: classificados, esportes, tudo que não leio e ponho de lado.
Tiro a Ilustrada e a Revista e separo para ler.
Dou uma geral nas manchetes principais. Vou ficando com raiva do Lula e dos políticos em geral.
Olho “Mundo” por cima mas nada me apetece em especial. War. War. War.
Passo rápido pelas crônicas imensas.
Vou pulando os anúncios imobiliários caríssimos de duas páginas coloridas.
Dou risada dos anúncios de carro. Eles acham que a gente é tonta?
E é claro que nem vou ler o anúncio da CVC de uma página inteira, não são os caras que o ônibus virou esta semana?
Folheio o caderno Mais e não acho nada que me interesse.
Deixo um bolo de papel separado para jogar fora e abro a Ilustrada. Vejo as fotos da coluna social, sei lá se é esse o nome ainda! Que nojo. Sapeio aqui e ali. Leio o Zé Simão, dou duas risadas e leio os quadrinhos, de preferência começando pelo Níquel Náusea.
Abro a Revista. Está ruim! Quase nada que se aproveite, só um artigo engraçado.
Aquilo é um mar de classificados, de colchão a dedetizadoras! Um dos únicos “artigos” deste último domingo era sobre presentear os namorados no dia 12, então só tem aqueles presentinhos básicos da Oscar Freire.
Jogo tudo fora e prometo nunca mais comprar! Os 3 reais e 50 mais mal gastos do domingo para ler o Níquel Náusea! Devia ter comprado um sorvetão de chocolate! Bom, valeu pelo Ulisses...
E que ninguém me diga que o Estadão é melhor, só tem mais coisa pra jogar fora! Só compra quem tem casinha de cachorro pra forrar...


PS – Esta linda foto é da janela da casa da Juju, minha sobrinha que fez aniversário dia 23 e que mora lá nas Alemanhas! Ela recebeu a visita de um esquilinho curioso, dá pra ver? É a primavera no primeiro mundo... não é chique? Achei tão linda que dei um jeito de botar aqui, apesar do assunto não ter nada a ver...
Não faz mal, não faz mal...


enviada por Penélope



20/05/2005 18:49

Pessoal, desculpas a quem volta aqui freqüentemente, estou há uma semana sem atualizar, nem vim ver os comentários, hoje li tudo... muitas coisas acontecendo...

Obrigada pela força e as dicas de todos, mas parece que o caso ulissístico é mesmo de cirurgia, pois a hérnia está pressionando um nervo que regula movimentos da perna e do pé, e estes já estão sem força, então, se ele esperar muito pode até ficar manco, já pensou? O menino tem que ir pra faca, nada de agulhadinhas! Chinezinhos ainda não, desta vez.

Continuo trabalhando mas estamos basicamente caseiros, indo de médico em médico, uma delícia... e como ele não curte em nada este blog (nem lê), rola uma certa saia justa ficar postando. Mas me faz falta vir aqui e dar umas arranhadas no teclado para relaxar. Hoje dei uma fugidinha!

A doença é péssima, mas ensina que a gente tem que aproveitar as rasteiras do destino para refletir sobre nossas posturas diante da vida. Filosófico, né? Certo, gafanhoto!

Só sei dizer que estou achando muito bom que não sou eu - pois se ele é manhoso e estou “tomando de conta” dele com empenho, o inverso provavelmente não seria verdadeiro. Imagino que ele não deixaria de fazer nada das coisas particulares para me ajudar, não por maldade, mas porque não está no “instinto”. Pode ser até que pagasse uma empregada para ficar comigo e ajudar, mas duvido que abrisse mão do trabalho e lazer, etc.

Fará parte da natureza masculina? Li uma vez uma pesquisa que afirmava que as esposas dos homens que contraíam AIDS tinham a tendência de permanecer com eles, tomando conta, enquanto eles sempre caíam fora ao saber do diagnóstico positivo delas. Seremos resignadas e subservientes? Feitas para sermos mãezinhas?

Aquelas bonequinhas todas na infância tinham um propósito! Bem, volto assim que puder com um assunto menos doentio... até.

enviada por Penélope



13/05/2005 15:03
Lá venho eu cheia de saúde lamentar...
Mas devido aos acontecimenos dos últimos dias, agora entendo por que quando brindamos com bebidas dizemos sempre “saúde!” (fora os casos em que a bebida estiver batizada, claro).
Quando se perde a tarzinha da peste, o mundo desaba, passa a não ter sentido e só assim a gente vê como é importante ter!
Calma, não sou eu que estou doente - a não ser lelé da cuca- mas isso é normal...
Alguém bem próximo de mim, diria, minha cara-metade, meu guerreiro Ulisses, pifou de repente domingo passado com fortes dores nas costas.
Médico vai, médico vem, lá vem a bomba: hérnia de disco.
Antes disso acontecer, hérnia de disco era coisa de velhinhos pra mim, sempre que ouvia alguém reclamando pensava que era um sedentário, um gordo, sei lá! Mas Ulisses é “fitness” como diz o Frotinha Teacher, não acreditei.
Então, tenho agora meio-marido, e estou sabendo coisas que nunca soube sobre coluna e o mundo bizarro dos médicos, La Máfia. Não sei como até agora escapei desse lance de coluna, nunca tive nadica de nada, e parece que é uma coisa que se acumula, de repente você levantou pesos erradamente, teve postura errada, não se alongou... é horrível, nada bom de imaginar.
Fiquei obcecada por alongar e sentar-me direito, embora imagine que não vá ter nada! Parece contagioso, sei lá. Olhei os raios X, a ressonância, vi uns desenhos de coluna na internet. Como é preciosa e delicada essa coisinha que nos sustenta, e estamos nem aí o dia todo, levantando torto, sentando errado, pegando peso de qualquer jeito.

Mas o pior mesmo é essa história de médicos. Não sei por que se endeusa tanto os médicos, achando que eles são os donos do saber. Pode ser porque não temos a quem recorrer na hora da dor.. “por favor, um analgésico, PLEASEEEEEE...”
É uma profissão ligada à nossa vida, talvez daí a aura de mistério. Mas, no fundo, é tudo igual à sua costureira! Uma manda reformar o casaco e diz que ficará ótimo, a outra acha que não vale a pena... ou, que tal a comparação, a sua cabeleireira, que diz que “essa cor combina perfeitamente com os seus olhos”, que você fica bem de luzes... ó vida besta.
Agora estamos assim: um receitou um remédio X, o outro diz que esse remédio é uma merda, o terceiro manda operar, o outro manda esperar, você fica “hein?”, atordoado.
Ulisses está agora descansando bravamente a contragosto, dando o break que ele nunca quis, pensando no que fazer, em quem confiar, etc.
Será que, no final das contas, vai rolar uma coisa de empatia - se a gente “vai com a cara” ou o “santo” do médico, aposta e acredita!
Horrível, onde checar a competência? No caso do cabelo, ainda dá pra correr no cabeleireiro vizinho e cortar de novo ou repintar... e se caiu, podemos colocar peruca! Mas no caso dele..

enviada por Penélope



11/05/2005 21:32
Eu quebro todas para meus amigos, sou tão boazinha, sou tão alegrinha, já me disseram até que sou a pantera cor-de-rosa (do jeito que fico rosa após a aula de spinning).

Convido meus amigos que querem conta no Gmail, ensino a se cadastrar, os que não conseguem abrir conta (por conta própria) eu ensino... e hoje eu tive a paciência de abrir a conta para um amigo, isso mesmo, enviar o convite pra mim mesma, fazer desde a identidade até a senha para ele, tudo mastigadinho e mandar de volta, já que ele vivia de bico dizendo “eu não consigo me cadastrar”.

Meu guru informático é da teoria radical-punk que reza que esse cara tinha mais é que se explodir no espaço devido à incompetência, como forma de seleção natural. Mas eu tenho paciência, juro. O que sei de informatiquês não é muito, mas eu passo adiante com humildade, até fico escutando todo dia o Serginho da academia choramingando “Meu Outlook não recebe, só envia”, como se eu tivesse uma varinha mágica.

E hoje perdi um tempão fazendo uma espécie de “bula” de como “importar” o catálogo de endereços que você tem em outro e-mail e passar pro Gmail, e escrevi 14 honrosos passos lentos (make it yourself, your fucking idiot). Acho legal ajudar, fico feliz, sério. Nega Maluca que não me deixa mentir.

E me digam se eu mereço que alguém me mande um spam assim:
Caso vc receba um e-mail com o titulo: "Os últimos desejos do Papa João Paulo II" e com o subtítulo "Deixe seu depoimento" não abra, pois é uma página com vírus para roubar senhas bancárias. Repasse, se puder.

Eu sei que a pessoa, que é minha amiga, mandou com bons propósitos (e inclusive o e-mail é verdadeiro, existe mesmo o perigo desse vírus), pensando nos amigos que, ávidos de saber os últimos desejos do papa, estragariam seus computadores. Mas eu não me sinto uma pessoa comum de uma lista de burros carolas, o problema é esse...

Mas eu respondi, bem malvada:
Ha, ha, se tiver algum idiota que queira saber os últimos desejos do Papa, desejo a ele que pegue um vírus mesmo!!!!!!! Não vou repassar, não! Idiota tem mais é que se f........

Será que fui muito Seu Izidro? Eu sei que a internet é nova para um monte de gente, e que eu posso até cair numa arapuquinha dessas vez ou outra, mas sinto que tem tanta gente crua, que não pensa nem em selecionar a lista (manda pra todos), muito menos questiona se a coisa é verdadeira, não perde um segundo vendo isso. É muito mais fácil passar pra todo mundo de vez, né? Mandaram repassar, lá vou eu, paladino da boa-vontade...

Eu, pelo menos, desconfio a princípio e checo. Se acho que é boato, devolvo a informação pra quem me enviou, bem chata mesmo.
Uma vez li uma comparação entre computadores e carros, mostrando que a coisa toda pode ser como se a gente fosse sair dirigindo carros sem saber nada de direção. Tipo: e depois que eu entrar, onde coloco a chave?

E mudando de direção...
Vocês foram muito bonzinhos tentando me animar no post anterior, mas concordo mais com o Wagner, a gente vai botar esses alegrinhos todos no paredão!
Gente, ser um pouco enigmático e sorumbático* é muito mais blasée, moderno, ficar sacudindo o rabinho para a vida é coisa de filhote de cachorro. Au au.
*Em tempo: sorumbático é o mesmo que macambúzio.


enviada por Penélope



08/05/2005 17:02
O que está tocando na Rádio Miolo Mole desde que acordei, hoje:
Felicidade foi-se embora e a saudade no meu peito ainda mora...
Pensei que era daquelas músicas que não se sabe o dono!
Fui pesquisar, era Lupicínio Rodrigues.

Pior, acho que me lembro por causa do Caetano Veloso, que gravou a dita cuja.
Já pensou uma criancinha batizada de Lupicínio? Lupinho? Já pra dentro, Lupicínio! Impossível.

Estou num dia amargo, e não sei onde é Pasárgada. Mas quero dar risada.

Uma vontade de dormir e não acordar... não é de me matar, é violento demais, mas de não acordar, pode? Sempre que acordo, penso: que droga, acordei.

Está na moda ser depressivo? Vou tomar chá verde.

É uma incongruência. Sou a primeira a procurar alimentos saudáveis, vida saudável, hábitos saudáveis, estou sempre muito alegre.

Mas se me perguntassem o que mais quero, talvez fosse não existir. E os prognósticos não são bons nesse sentido: pela duração de minha mãe, as probabilidades é de que vou existir muito tempo, e estou preocupada.

Sei lá, é que cansei, parece que já vi tudo, não sirvo pra nada, não tenho objetivos, não vou fazer falta, etc., aquela ladainha de mal-amada.

Se a gente não tem gosto por viver, cadê a graça?

Viver tem que ser assim, a cavalo dado não se olham os dentes?


enviada por Penélope



06/05/2005 20:33
Ando pensando em bactérias.
Tomara que não fique daquelas maníacas que lavam a mão toda hora, ou que colocam paninho no orelhão, vocês já viram?
Deus me defenda, como diria um amigo nosso!
Mas pode ser só uma curiosidade natural.
Tipo, como elas se proliferam e nós as sustentamos.

Mas domingo passado assisti a uma matéria no Fantástico que me deixou preocupada.

Alguém viu?
Um microbiologista que dá plantão por ali mostrou como as bactérias dos intestinos podem chegar às escovas de dentes.
A gente está ali escovando os dentes achando que é muito higiênico e pode estar acrescentando mais um cocô à nossa rotina.
Ele explicou que o problema vem das descargas do vaso sanitário.
Mostrou umas análises onde escovas de dentes haviam ficado fora dos armários e todas tinham coliformes fecais.
Quando se dá a descarga com a tampa aberta, disse, as bactérias ficam voando pelo banheiro por duas horas!
Duas horas!
Depois vão caindo por ali.
E se as escovas estiverem fora do armário, vão fazer um ninho lá.
Muito bem, pensei.

Quer dizer que elas não atingem somente as escovas, mas os nossos cabelos (se a gente ficar no espelho espremendo espinhas), as toalhas, as roupas, tudo!
Bom, e se a gente viu a matéria e fechar a tampa, as dúvidas nem por isso acabam.

Será que a tampa do vaso fica cheia de bactérias e a gente não deve encostar? Por quanto tempo deve ficar fechada até elas não voarem mais?
Por que essas coisas que a gente não vê são tristes? Serão como fadas e duendes?
E se formos beijar (eca) uma pessoa que não viu a matéria?
Bom, se nos salvamos até o momento sem saber, por que aquele microbiologista veio encher o saco?

enviada por Penélope



02/05/2005 15:35

E a novidade do dia é que... hoje o sol saiu! Só à tarde, mas tudo bem, Penélope está mais tranqüila, fazendo fotossíntese... até fiz uma foto do pedaço de céu que vejo sentada aqui no computador, com esses prédios e esses fios de varal, tão meigos. O azul está de matar.

Ontem, na falta do que fazer no domingão friorento saí da casca da tartaruga a conselho de Isa e fui assistir a um filme indicado pela mana 4:“Um Filme Falado”, de Manoel de Oliveira.

Gostei, apesar de ser um filme estranho, arrastado, com tempo diferente. É a história de uma professora de História que viaja num cruzeiro de navio com a filhinha, ambas portuguesas, visitando países do Mediterrâneo nas paradas.

Foi interessante para mim que ainda não fui à Europa (me aguarde, Juju!), e pude ver um pouco da Itália, da Grécia, do Egito e Istambul. Só que ela vai explicando exaustivamente pedaços da História antiga para a menininha (que é curiosa demais para a idade), e cansa um pouco.

O final é totalmente estranho e imprevisível, mas não vou contar, vai que passa alguém por aqui querendo ver...

Gostei de ver a Catherine Deneuve (muito linda) fazendo papel de uma empresária numa conversa maluca no restaurante do navio. Na mesa, três mulheres e o comandante (John Malcovitch) falam quatro línguas diferentes, cada um sua língua materna, e todos se entendem muito bem. Pena que fui sozinha e fiquei com vontade de cutucar alguém do lado várias vezes, mania.

Bom, depois dessa História Falada não estou muito a fim de falar, e vou só postar mais duas fotos que falam por si mesmas, mas antes vou dar uma explicaçãozinha.

Já que a Juliana falou lá da Alemanha que está fazendo sol e que vai me mandar fotos das flores, para ela saber que não vou ficar pra trás, aproveito para registrar o que talvez seja uma das últimas florzinhas destas mudinhas, já que começa a esfriar.

São minhas onze-horas, em foto que fiz “gorim de pouco”. O interessante nesta foto que as da esquerda foram trazidas de Bueno Brandão (oi, Gio!), na minha viagem do carnaval. Peguei dois galhinhos da pousada da dona Rosquinha (apelido que eu dei à senhorinha que nos atendeu muito gentilmente com um pote enorme de rosquinhas de Minas!). O jardim dela era um show, lindo, fui catar amoras e resolvi trazer duas mudinhas para plantar, uma de cor branca e outra alaranjada.

Ela tinha milhares, e o canteiro era cheio de abelhas... Bom, a flor branquinha abriu logo que chegou, ainda no copo de água, mas depois nunca mais... Já essa alaranjada se animou e em menos de quinze dias estava enorme, tomando conta do pedaço! Ela nem ligou de sair daquela lindeza de lugar e ficar aqui na minha enfumaçada Sampa... A outra florzinha mais cor-de-maravilha já estava nessa floreira há tempos, também nasceu de uma muda que afanei lá da pracinha do Corpo de Bombeiros, em Boiçucanga.


Agora. em vez de trazer artesanato das viagens vou trazer mudas de onze-horas e fazer um jardinzinho memorial! Não é uma grande idéia?
A última foto vou pôr aqui porque gostei, ponto final. Estava no sofá com a minha gatinha arteira, mais propriamente minha neta preta, foi tirada ontem à noite pelo Ulisses. Estava friozinho e ela veio se aninhar comigo, coisa meio rara... depois ficou amassando o cobertor e mamando nela mesma, ela é meio doida. As cores ficaram legais, né? Então é isso, a little less conversation, a little more action.



enviada por Penélope



29/04/2005 19:18
*Tempo é borracha e a vida, escrita a lápis.” (Wagner Mangueira, Prata)

Estou meio desempolgada com o blog, por isso o sumiço. Pode ser fase, pode não ser...
Estou me sentindo como o tempo aqui em Sampa, nublada e sujeita a garoas. Talvez a falta de sol esteja sendo sentida, quem sabe a glândula pineal é a culpada? Não sei, mas parece que não tenho nada de interessante a dizer, vocês me perdoem.

Tenho alguns escritos guardados, mas leio e acho tudo uma grande porcaria. Está tudo meio com ranço, azedado. Estou muito chata mesmo.
Esta semana teve bastante trabalho também, tanto em casa quanto na agência, fiquei indo e voltando, esse negócio de estresse não está com nada.

Hoje recebi uma chamada urgente de trabalho, saí correndo, chegando lá era uma frase minúscula e eu fiquei com cara de “cuma?”. A produtora ficou com sorriso amarelo, mas eu não quis perder o humor e rodar a baiana e fiz o trabalho; depois fui passear no Itaim. Passeio de dona de casa é supermercado, que merda, fui no Extra! Lá fiquei vendo uma demonstradora usar um novo produto de limpeza que parece o máximo. Se desencardir o piso do meu box conto pra vocês.

A loja estava cheia de produtos para o dia das mães, um monte de gente comprando celular, pilhas e pilhas de jogos de panelas e aspiradores de pó. Já pensou ganhar um lindo aspirador de pó para o dia das mães, que delícia? É engraçado esse negócio de presente das mães, tem mulher que odeia ganhar “coisas para a casa” e outras que gostam pra valer, vai entender. Eu comprei duas faquinhas de presente para mim, já posso até cortar os pulsos, são bem afiadinhas. Tenebrosa.

Na volta peguei o maior trânsito na garoa, sempre que resolvo trocar de caminho acabo me ferrando, fiquei cansada do mesmo caminho pela marginal e vim pela Faria Lima, resultado – cabecinha funcionando. Pensei, que engraçado, prédios inteiros com placa de venda ou aluguel, novinhos. Significa que empreendedores constróem um edifício sem objetivo de usá-lo, somente com idéia de investimento. Pegar um espaço, ocupar com cimento e aço, e depois ficar vazio esperando alguém pagar. É uma puta inversão de funções, pensei que na origem do ser humano a gente escolhia um cantinho pra viver, depois construía ali uma casinha e tal. Agora alguém constrói e não ocupa. Ficam esses monstros vazios e quem precisa morar fica embaixo da ponte.

Não é crítica social, não me entendam mal, acho interessante de se pensar como as coisas se transformam. De repente as pessoas vão construir escolas e hospitais prontos e aparelhados e esperar algum investidor vir alugar... na hora que isso der dinheiro pra valer.

Bom, hoje é sexta e está friozinho, não estou com a menor vontade de arrumar programa pra fazer, ontem já bebi minha cota de vinho com a mulherada da Sanma, teve um jantarzinho básico, risoto de erva-doce e limão da nossa culinarista Inês. Estava ótimo, mas fui dormir tarde e acordei meio zonza. Foram os vapores do vinho, gente chegada em cerveja é assim mesmo.

Espero que meu humor melhore logo, gostaria de ser uma cobra e sair da casca. Já estou me olhando pro espelho com vontade de fazer alisamento no cabelo, com esse tempo ele armou igual ao da Elba Ramalho, caramba. Está “fuiuiú” como diria minha pequena Penélope. Toda vez que falo com ela no MSN e ligo a webcam ela diz que estou descabelada. Paciência. Até a próxima, meninos, desculpem a ranhetice.

enviada por Penélope



22/04/2005 19:48
São quinze pras quatro da tarde e não sei por que, mas sinto que adoraria comer uma berinjela à parmegiana bem gordurosa sem culpa, cheia de mussarela, mas tinha que ser feita pela minha mãe, que em empanava as finas fatias uma por uma, depois fritava, depois fazia camadas com molho, muito parmesão...
Mas estou aqui no computador espiando uma barata que se enfiou embaixo dos sacos de lixo do quintal. Eu dei uma “espreiada” nela de baratox e ela ficou zureta e correu pra morrer em paz.
Olho pros prédios e vejo um céu muito muito azul, no prédio mais próximo as janelas das áreas de serviço estão abertas e as roupinhas daqueles varais de teto estão balançando... pra cá, pra lá. Os donos das roupas estarão no trabalho, resolvendo questões, na aula? E as roupas desocupadas balançando e brincando ao sol.
Mas em vez de berinjela que não é hora vou passar um cafezinho na minha cafeteira italiana nova vagabunda e fajuta que comprei no Mambo e que mal cabe nas grades do fogão e fica cai-não-cai. Pego um pão, passo manteiga e enfio dentro da caneca de café - lembranças infantis, por que será tão bom?
O gosto me traz a vidinha da rua Maria Monteiro, em Campinas. De tarde a gente ia no bar do seu Miguel português comprar pão, era “filão”, não era francês nem baguete, ele embrulhava num papel pardo, e as crianças de casa pegavam os trocados para comprar doce, ou bala (tinha baleiro) e amendoim japonês. A gente na pontinha do pé e o português com sua língua macarrônica pedia a “caderneta” para anotar a compra, nas vezes que minha mãe não tinha dinheiro em caixa.
Depois dona Luizinha fazia café coado no coador de pano e a gente comia desse jeito, com pão e manteiga, mergulhando no copo. O café ficava com umas bolhas de gordura... É, a gente usava daqueles copos que se diz “americanos”. E brigávamos pra ver quem ficava com o “bico” do pão!
Mais do que fome ou desejo de comer, um cheiro arquivado das tardes desocupadas enche a minha cabeça agora, o desejo não é propriamente comer, é trazer de volta no tempo a sensação de pertencer ao mundo e tudo poder. Sair na rua e pegar a bicicleta e apostar corrida ou chamar as crianças da rua e ficar à toa no muro de casa inventando coisas. Ou ficar agachada de quatro no jardim com o nariz cheirando terra e procurar moranguinhos que meu pai plantava no meio das rosas e comê-los antes de ficarem vermelhos.
A casa da minha amiga Isa tinha cheiro de cera, daquelas ceras pastosas que vinham em lata, o piso era vermelho de cerâmica todo encerado. O lado de dentro da casa rescendia a sabão em pó e limpeza, até hoje não posso sentir esses cheiros sem lembrar da casa dela. Naquela época a gente usava conga branco pra fazer ginástica no colégio e como as pessoas enceravam os pisos com cera colorida, a sola dos tênis ficava eternamente avermelhada.
Às vezes a Isa e eu abríamos uma lata de leite condensado de tarde e botávamos um monte de Nescau dentro, depois ficávamos fazendo lição de casa na mesa da cozinha, passando a limpo os infindáveis cadernos de História da Dona Lourdinha e comendo aquela bomba atômica. Tão bom, tão despreocupado, naquele tempo não existiam as calorias, nem o colesterol, nem os radicais livres, nem a culpa pela gulodice, só as tardes de leite condensado e os domingos de berinjela à parmegiana...

enviada por Penélope



18/04/2005 15:26

Segunda-feira chegou, estou igual ao Garfield, com saco cheio, uma sensação de que não fiz nada de útil ou gostoso no fim-de-semana e que agora vou olhar aquela lista enorme de tarefas procrastinadas (quero ver quem entendeu essa!) para sempre.. consertar a palhinha da cadeira de balanço, levar os livros velhos no sebo, tudo igual estava sexta-feira passada, arrumar aquele armário cheio de disco de vinil...
As tarefas parece que se retroalimentam, assim que a gente risca uma da lista como feita, cresce outra logo embaixo. Desconfio que existe um mundo bizarro das tarefas, que assim que a gente dá conta de uma o sistema avisa e nasce outra pra repor, igual rabo de lagartixa cortado. Será que se a gente fingir de morto não dá certo?
Bom, estou tentando.
Pior que nem posso dizer que é falta de tempo. Mas é um pouco por falta de ânimo, chego acabada da academia, tomo banho, faço comida, almoço, resolvo as coisas imediatas (gatos que miam, telefonemas, recados, checo no computador se tem trabalho), depois baixa uma preguiça dos infernos e parece que o dia acabou. Daqui não saio, daqui ninguém me tira.
Sabe quando a gente não quer nem pensar?
Nem vontade de MSN tenho hoje, entrei off-line e espiei quem estava, mas estou sem vontade. Dia bunda. Nem a Rádio Miole Mole está tocando.

E por que não fiz nada emocionante no domingo? perguntarão. Falta de planejamento. Até que no sábado Nega Maluca e eu fomos passear no shopping (ela resolvendo problemas da lista dela), eu pra variar fiquei namorando os tênis nas vitrines mas não comprei.

Mas no domingo é dia de casal, e Ulisses só topa atividades que incluam água e esportes aquáticos, como fazer wake na represa ou viajar para a praia, e ontem não tinha ninguém pra ir junto, todo mundo tinha programa, não fomos. O negócio foi ficar na TV, embora tenha sido uma programação alternativa, assistimos a uma maratona no Discovery Channel sobre Cartago, Roma, os etruscos, muitíssimo legal. À noite vimos um documentário sobre o Krakatoa! Estou consideravelmente mais erudita... mas me perguntem logo porque logo vou esquecer tudo!

Uma hora deu “siricutico” em mim e resolvi largar o mister abandonado pra passar na Cobasi e comprar ração pras minhas gatas, mas com a maratona (corrida) que estava tendo aqui em Sampa as ruas depois da Praça Panamericana estavam interditadas.
Enfim, passei num super, comprei brejinhas e comidas e voltei pra casa. Não foi ruim, já que namorei, tomei cerveja – só uns 3 litros - e cozinhei um pouco. Vi que tem gente em situação bem pior, um povo comendo a comida da rotisserie do supermercado (!) nas mesinhas de plástico, que triste.

Ulisses, o Sem Amigos, observou que o telefone não tocou, ninguém ligou para ele. Constatação deprimente de paulistano. Se morasse no interior ia pro meio da praça e ficava jogando dominó se fosse velho, ou sendo moço que ele é, ligava o som do carro tunado perto da sorveteria e ficava com os caras olhando as minas.

Outra coisa que me chateou foi saber pelas manas que precisamos decidir se minha mãe vai ou não ser operada. Será uma decisão do gênero se correr o bicho pega...

Monday monday
Aí, o que o bebé quer? Mamar na vaca? Segundona chega com um sol lindo, está tão quente neste outono, bem mais que no verão, mas meu mofo não saiu, entende.

Ei, hoje estou escrevendo um texto normal, tipo diário, pra contrabalançar a minha doideira do post anterior das idéias. É que a Diana fez uma observação assim: “Que texto doido é aquele?” Não sei, eu gostei tanto de pensar nas idéias pequenas me perseguindo. Agora mesmo está cheio delas por aqui. Tentativas experimentalistas, não é bom? Mas quando fui reler fiquei pensando que hoje em dia aquilo dos palhaços não seria mais revolucionário, parece um programa que passa no Multishow, no qual, por exemplo, o repórter larga o entrevistado falando e sai correndo. Ou entram de repente uns caras fantasiados de touro numa loja de louças.
Tudo já foi feito e dito.
Acho que eu estou com encosto, sai, zinfio! Manda a arruda! Não quero fazer nada...

enviada por Penélope






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